Cena 1 - Cidadão confundido com traficante é levado para a UPP da sua comunidade para averiguação. O certo seria levar para uma delegacia, mas os policiais não seguem essa orientação. Não bastando o erro inicial, as câmeras da UPP não funcionam e os GPS's das patrulhas idem. Cidadão não foi mais visto desde então. Polícia é vista como principal suspeita, mas conta com o apoio da mídia e o discurso de que nada foi provado contra a entidade e os policiais.
Cena 2 - Muitos dias depois do sumiço do cidadão, a PMERJ acuada pela pressão da população começa a soltar boatos que são tratados como verdades universais pela imprensa, como a alcunha do cidadão sumido ser Boi e ele um traficante, além da casa do mesmo (que mal cabe a família) servir de esconderijo para drogas e local de tortura de traficantes de uma comunidade que já está pacificada há quase 2 anos(???). Cidadão já é visto por muitos como um traficante desaparecido.
Você já deve ter percebido que estamos falando do caso Amarildo, morador da Rocinha. Gostaria de atentar para alguns fatos: todo mundo é inocente até que se prove o contrário (no momento só serve pra polícia), quem deveria nos proteger e nos informar de modo imparcial não o fazem, o preconceito de classe continua forte no Brasil.
Cada notícia que ler, ver ou ouvir desse caso, estarei com esses fatos na cabeça e atentarei para como ele está sendo tratado. Sugiro que faça o mesmo! Talvez Amarildo nunca apareça, assim como a engenheira Patricia Amieiro, e mais uma vez vai ficar o dito pelo não dito, a perda de confiança e o crescente medo por quem deveria ser o nosso maior aliado contra a violência. Muita coisa ainda irá rolar, mas fique atento às verdades que querem nos impor.
Abraços do Will!



